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O que é um Framework

Um guia prático para organizar, preservar e compartilhar conhecimento — sem jargões.

Peças ilustrando o conceito de framework

O que é um framework

Um framework é um guia de trabalho: princípios, passos e modelos que ajudam uma equipa a agir de forma organizada e consistente, com qualidade e registo claro do que foi feito. Em vez de recomeçar do zero em cada projeto, seguimos um caminho testado para catalogar, digitalizar, publicar e preservar com segurança e transparência.

Por que usar um framework?

Mais clareza, menos retrabalho

Todos sabem o que fazer e em que ordem. Decisões recorrentes deixam de ser rediscutidas a cada item ou coleção.

Qualidade que se repete

Mesmo com entradas e saídas na equipa, o padrão de cuidado permanece — facilitando formação e continuidade.

Transparência e confiança

Critérios e decisões documentados tornam mais fácil prestar contas, compartilhar e colaborar com outras instituições.

Do que um framework é feito

Princípios (a bússola)

  • Acesso responsável; respeito a comunidades e direitos;
  • Preservação de longo prazo e transparência;
  • Interoperabilidade; licenças e créditos claros.

Processos (o passo a passo)

Entrada → Catalogação → Digitalização → Revisão/Qualidade → Publicação/Acesso → Preservação Digital.

Padrões e modelos

Fichas com campos essenciais (identificação, procedência, estado, direitos, referências) e exemplos de preenchimento.

Vocabulários e metadados

Listas combinadas de nomes, lugares, técnicas e materiais, com regras de escrita — trocas entre sistemas ficam fáceis.

Métricas (medir para melhorar)

  • Cobertura e consistência da catalogação;
  • Tempo médio por etapa e retrabalho;
  • Integridade de arquivos e reuso.

Ferramentas do dia a dia

Checklists, convenção de nomes, scripts simples e backup 3–2–1. O método é independente de software.

O que não é um framework

  • Não é um software. É um modo de trabalhar; pode viver em planilhas, repositórios simples ou sistemas diferentes.
  • Não é camisa de força. É modular e adaptável. Comece pelo essencial e expanda quando fizer sentido.
  • Não substitui o olhar humano. O julgamento curatorial e histórico permanece no centro.

Quando usar (e quando usar só o essencial)

Use o framework completo

Para acervos médios/grandes, equipas com rotatividade, projetos interinstitucionais e exigência de continuidade.

  • Critérios de aceite claros e documentação contínua;
  • Papel e responsabilidades bem definidos;
  • Revisões periódicas de qualidade.

Use o “núcleo mínimo”

Para projetos pequenos ou exploratórios, com prazos curtos.

  • Princípios acordados;
  • Ficha mínima e direitos registrados;
  • Convenção de nomes + backup 3–2–1;
  • Registo leve do processo.

Núcleo mínimo (comece pequeno)

  1. Princípios claros: uma página com 4–6 princípios acordados pela equipa.
  2. Ficha mínima: o que, quem, quando, onde, procedência e direitos.
  3. Convenção de nomes: ex. 2025_03_15-Colecao-12345-Verso-01.tif.
  4. Backup 3–2–1: três cópias, dois locais, uma externa.
  5. Registo leve: quem fez, o que fez e quando (entrada, foto, revisão, publicação).
  6. Direitos e licenças: preferir licenças claras (ex.: Creative Commons).

Boas práticas que inspiram frameworks de preservação

Preservar e dar acesso

Arquivos legíveis no futuro, com origem e decisões registradas. Organizar hoje para reutilizar amanhã.

Design centrado nas pessoas

Linguagem clara, contraste adequado e alternativas textuais. Acessibilidade é prática, não extra.

Gestão responsável

Ciclos curtos, riscos visíveis e critérios de aceite simples — menos burocracia, mais previsibilidade.

Inclusão e autonomia digital

Envolver comunidades e estudantes; publicar materiais abertos sempre que possível.

Transparência e colaboração

Documentar decisões, compartilhar modelos e permitir reuso com créditos.

Independente de software

O método funciona com planilhas, repositórios ou sistemas — o valor está no processo.

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