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MVP — Mínimo Produto Viável

A menor versão que já gera valor e aprendizado, antes de investir pesado

Ilustração de protótipo mínimo sendo validado

O que é um MVP em preservação

Um MVP é o menor recorte de serviço/entrega que já gera valor real e aprendizado. Em patrimônio cultural, ele comprova viabilidade técnica, curatorial e de acesso responsável antes de escalar processos e custos.

Em vez de tentar “o sistema perfeito”, entregamos um lote pequeno e representativo com critérios de qualidade claros, publicamos (mesmo que de forma controlada) e medimos resultados. A partir disso, decidimos: escalar, ajustar ou pausar.

Por que começar por um MVP

  • Muitas incertezas: testar padrões, custos, prazos e aceitação do público.
  • Recursos limitados: foco no essencial agora; investimento maior só depois de validar.
  • Vários envolvidos: mostrar algo concreto acelera consenso entre curadoria, técnica, jurídico e comunidades.
  • Integrações e padrões: revelar cedo gargalos de formatos, direitos e compatibilidades.

Protótipo × MVP × Piloto

Protótipo
Rascunho para explorar ideias (pode ser sem dados reais). Não precisa ser publicado.
MVP
Entrega mínima com dados reais, valor imediato e critérios claros de sucesso.
Piloto
Implementação limitada em contexto real para validar operação e impacto antes de expandir.

Como definir um MVP

  • Problema e público: que dor resolvemos primeiro? Para quem?
  • Entrega mínima: recorte pequeno que já é útil (ex.: um lote acessível com ficha mínima e imagens web).
  • Hipóteses e métricas: dúvidas a testar (qualidade, custos, uso) e indicadores simples para medir.

Escopo mínimo recomendado

  • Lote piloto (30–50 itens): amostra pequena e representativa.
  • Padrões essenciais: ficha mínima, vocabulário básico, convenção de nomes, matriz + derivado web, direitos/créditos.
  • Acesso de teste: links estáveis, página simples com contexto e chamada para feedback.

Critérios de sucesso (objetivos)

  • Qualidade: ≥ 90% das fichas com mínimos completos e vocabulário aplicado; integridade verificada.
  • Acesso e uso: links funcionam; tempo de carregamento aceitável; volume mínimo de acessos/feedback.
  • Esforço e custo: horas por item medidas; tendência de queda ao longo dos ciclos; custo por lote dentro do previsto.
  • Conformidade ética: direitos/restrições registrados; créditos consistentes; decisões sensíveis documentadas.

Fluxo de validação do MVP (exemplo)

  1. Planejar (1–3 semanas): problema, público, hipóteses e critérios de sucesso.

  2. Preparar padrões: ficha mínima, listas controladas, convenção de nomes, checklists enxutos.

  3. Executar lote piloto: digitalizar/descrever; gerar matrizes e derivados; registrar decisões e exceções.

  4. Revisar (QA técnico e curatorial): foco, resolução, ICC; consistência descritiva; direitos/ética e integridade.

  5. Publicar/entregar: repositório/página de teste com contexto, créditos e licenças; relatório curto com métricas.

  6. Aprender e decidir: coletar feedback, comparar métricas e decidir escalar, ajustar ou encerrar.

Exemplo prático de MVP

  1. Passo 1: publicar 40 fotografias com ficha mínima, derivados web e créditos; busca simples por autor/título.
  2. Passo 2: aprimorar revisão de qualidade; adicionar notas de direitos e contexto histórico; registrar termos sensíveis.
  3. Passo 3: testar exportação simples de metadados (CSV) para integração com repositório parceiro.

Checklist rápida (acessibilidade & ética)

  • Acessibilidade: texto alternativo, contraste legível, navegação por teclado, legendas quando houver áudio/vídeo.
  • Direitos e restrições: status jurídico verificado; licenças/consentimentos; respeito a restrições culturais.
  • Créditos e referências: autoria/proveniência e equipa técnica; fontes consistentes entre lotes.
  • Transparência: notas sobre lacunas/limitações; decisões sensíveis documentadas; trilha de auditoria simples.

Papéis no MVP

  • Coordenação: prioriza backlog, remove impedimentos, garante cadência e critérios de sucesso.
  • Equipe de trabalho: executa tarefas, registra decisões, mantém consistência e reprodutibilidade.
  • Parceiros/comunidades: dão feedback, validam contexto e apoiam próximos passos.

Ferramentas mínimas

  • Quadro de tarefas (Kanban simples: a fazer / em andamento / revisando / pronto; com limite de WIP).
  • Modelos essenciais (ficha mínima, checklist de qualidade, matriz de direitos).
  • Registro de decisões (planilha/doc curto com escolhas, exceções e aprendizados).

Métricas para validar

  • Qualidade: % de fichas completas; erros detectados; taxa de retrabalho.
  • Fluxo: tempo médio por item; tempo de revisão; itens concluídos por semana.
  • Acesso e impacto: acessos/feedbacks; reuso em ensino/pesquisa; citações/menções.
  • Custos: custo por item/lote; tendência com amadurecimento do padrão.

Riscos comuns (e como evitar)

  • Confundir MVP com produto final: deixar claro o escopo e o que ficou de fora.
  • Ignorar direitos/ética: verificação jurídica e cultural em todo ciclo.
  • Polir estética antes do conteúdo: priorizar utilidade, contexto e qualidade descritiva.
  • Métricas vagas: indicadores objetivos (ex.: % fichas completas, tempo por item, acessos).

Do MVP ao programa (como escalar)

  • Consolidar padrões: transformar o que funcionou em modelos oficiais (ficha, checklist, nomes).
  • Automatizar o básico: scriptar tarefas repetitivas (renomear, validar, gerar derivados) com revisão humana.
  • Ampliar lotes e frentes: aumentar gradualmente o volume e novas tipologias, monitorando métricas.
  • Interoperar e publicar: exportação de metadados (ex.: CSV) e adoção de padrões abertos quando possível.
  • Sustentabilidade: preservação de longo prazo (backups, integridade, documentação viva) e orçamento recorrente.

Perguntas frequentes (FAQ)

O MVP precisa ser público?
Pode ser apenas para um público controlado até validar direitos e contexto.
E se o MVP “falhar”?
Ótimo: aprendemos barato. Ajustamos hipóteses, padrões e escopo; rodamos novo ciclo e comparamos métricas.
Precisa trocar de software?
Não. Podemos começar com planilhas e repositórios simples. O método é independente de ferramenta.