GAIA Digital

Desafios — do laboratório ao repositório

Mapeamento de riscos, gargalos e dependências para decisões técnicas e curatoriais mais seguras.

Ilustração de obstáculos e pontos de atenção na preservação digital

Projetos de digitalização e preservação enfrentam desafios que vão de escolhas técnicas (formato, resolução, codecs) a governança, ética e sustentabilidade. Este guia organiza os principais riscos e oferece estratégias objetivas de mitigação para manter consistência, integridade e reuso ao longo do ciclo de vida.

Técnicos

  • Obsolescência de formatos/softwares e dependências proprietárias.
  • Qualidade inconsistente (foco, cor, bitrate, entrelaçamento).
  • Integridade (checksums não gerados/verificados periodicamente).
  • Crescimento do armazenamento e custos de egress/transferência.

Organizacionais

  • Falta de papéis definidos (captura, curadoria, preservação, acesso).
  • Processos sem documentação, versionamento ou logs de decisão.
  • Baixa interoperabilidade entre sistemas/planilhas legadas.
  • Capacitação irregular da equipe e rotatividade.

Éticos & comunitários

  • Direitos autorais, privacidade e sensibilidade cultural.
  • Consentimento informado e expectativas de uso/reuso.
  • Representatividade e contexto para evitar leituras indevidas.
  • Ver questões éticas

2D (documentos/fotos)

  • Riscos: moiré, clipping, variação de cor/iluminação, falta de alvo.
  • Mitigar: perfil de cor, alvo IT8/ColorChecker, 300–600 ppi, TIFF matriz.
  • Contexto: registrar suporte, técnica e escala com régua/escala gráfica.

Áudio

  • Riscos: wow/flutter, ruído de fita, cortes, clipping.
  • Mitigar: 24-bit/96 kHz (mín. 24/48), WAV/BWF, logs de limpeza/azimute.
  • Direitos: atenção a vozes/dados sensíveis e consentimentos.

Vídeo

  • Riscos: entrelaçamento, perda de cor/esp. de cor, artefatos de compressão.
  • Mitigar: matriz Matroska/QuickTime (FFV1/ProRes), PCM; registrar AR, entrelaço, gama.
  • Entrega: planos de derivação para MP4 (H.264/H.265) com políticas claras.

3D (fotogrametria/scan)

  • Riscos: escala imprecisa, malha com buracos, texturas desalinhadas.
  • Mitigar: pontos de controle/escala, relatório de precisão/erro, OBJ/PLY/GLTF com metadados.
  • Acesso: simplificação/decimação para GLB/GLTF web, sem perder legibilidade.

Matriz de risco — probabilidade × impacto

Risco Prob. Impacto Mitigação
Obsolescência de formato Média Alta Política de formatos + migração planejada + 3–2–1
Perda de integridade Baixa–Média Alta Checksums na ingestão + verificação periódica + logs
Exposição indevida Baixa Alta Matriz de direitos + camadas de acesso + consentimento
Qualidade insuficiente Média Média–Alta Critérios mínimos + amostragem + revisão por pares

Ajuste probabilidades/impactos conforme contexto, volume, prazos e criticidade do acervo.

Checklist de mitigação

  • Definir política de formatos (matriz/acesso) e versionamento.
  • Gerar/verificar checksums (ex.: SHA-256) e manter logs.
  • Aplicar amostragem ≥10% e revisão por pares por lote.
  • Documentar parâmetros de captura e configurações de equipamento.
  • Implementar 3–2–1 com testes de restauração periódicos.
  • Publicar licenças claras e matriz de decisão de direitos.
  • Planejar capacitação contínua e guias rápidos para a equipe.

Operação & fluxo

  1. Planejar: escopo, taxonomia, convenções de nomes, metadados mínimos.
  2. Capturar: seguir critérios por suporte; registrar setup e condições.
  3. Ingerir: gerar checksums, validar metadados, aplicar política de formatos.
  4. Publicar: derivados acessíveis, acessibilidade (WCAG), licenças.
  5. Preservar: 3–2–1, verificação periódica, migração planejada.
  6. Revisar: indicadores (integridade, cobertura de metadados, reuso).

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