GAIA Digital

Digitalização — do planejamento à captura

Padrões simples, fluxo claro e checklist mínimo para transformar suportes físicos em objetos digitais confiáveis.

Ilustração sobre processo de digitalização

Digitalizar é capturar informação fiel do suporte original, com parâmetros repetíveis e documentação mínima. O objetivo é garantir autenticidade, usabilidade e preservação futura, evitando retrabalho e perdas de qualidade. Comece pequeno, valide um lote piloto e evolua por ciclos.

Planejamento por lotes

  • Escopo piloto: ~30–50 itens representativos por suporte.
  • Critérios de “pronto”: resolução, cor/bit-depth, nome de ficheiro, metadados mínimos e verificação de integridade.
  • Priorização: estado físico, demanda social/educativa e risco de obsolescência.
  • Documente decisões: ficha técnica do lote e exceções aceitas.

Imagem 2D (documentos/fotografias)

  • Resolução: 300–600 ppi (texto/foto), 8–16 bits; alvo de cor opcional.
  • Matriz: TIFF sem compressão (ou lossless).
  • Acesso: JPEG/PNG, tamanhos derivados.
  • Metadados mínimos: título, autoria, data, suporte, direitos.

Áudio

  • Captura: 24-bit, 96 kHz quando possível.
  • Matriz: WAV/BWF.
  • Acesso: MP3/MP4 (bitrate adequado).
  • Notas: limpeza, azimute e ruídos registrados em log.

Vídeo

  • Matriz: contêiner Matroska/QuickTime com codec intra-frame (ex.: FFV1/ProRes).
  • Acesso: MP4/H.264 ou H.265 conforme política.
  • Cor: registrar espaço de cor, entrelaçamento e aspect ratio.

3D (fotogrametria/scan)

  • Matriz: malha + textura em formatos abertos (OBJ/PLY/GLTF).
  • Acesso: GLB/GLTF simplificado; visualização web.
  • Metadados: método de captura, escala, precisão e iluminação.

Fluxo essencial

  1. Preparar: inventário, limpeza leve, identificação de riscos.
  2. Capturar: parâmetros padronizados por suporte.
  3. Nomear: convenção única, sem espaços, versão v1…vn.
  4. Descrever: ficha mínima + control vocab.
  5. Qualidade: amostragem (ex.: 10%), foco/artefatos/cor.
  6. Preservar: 3–2–1, checksums, logs, migração planejada.
  7. Publicar: derivados de acesso, licenças e contexto.

Checklist de “pronto” (mínimo)

  • Parâmetros corretos (resolução/bitrate/codec) e foco/estabilidade OK.
  • Nome do ficheiro padronizado e versão registrada.
  • Metadados mínimos preenchidos; direitos/licença definidos.
  • Checksum gerado e verificado em pelo menos 2 cópias.
  • Derivados de acesso presentes (quando aplicável).

Equipamentos (orientação geral)

  • Cópia fotográfica: câmera com lente fixa, iluminação difusa, suporte reprodutor plano.
  • Scanner: preferir modo sem compressão e 16 bits quando aplicável.
  • Áudio: interface dedicada, cabos revisados, calibração de níveis.
  • Vídeo: captura sem perdas quando possível; estabilização e white balance.

Erros comuns a evitar

  • Usar apenas JPEG como matriz (perdas cumulativas).
  • Não registrar metadados mínimos no momento da captura.
  • Nomes de ficheiro inconsistentes, sem versão.
  • Ausência de 3–2–1 e verificação periódica de integridade.

Resumo — digitalizar bem é digitalizar uma vez

Qualidade repetível

Parâmetros estáveis e checklist claro reduzem retrabalho.

Confiabilidade e acesso

Matriz fiel + derivados bem documentados favorecem reuso.

Preservação desde o início

3–2–1 e checksums acoplados ao fluxo, não como etapa tardia.