GAIA Digital

Inovação Digital — Modelagem

Estruturar bem é metade do caminho: entidades claras, relações estáveis e vocabulários consistentes

Diagrama simples conectando pessoas, objetos, locais e eventos

Por que modelar antes de produzir

A modelagem define o que existe (entidades), como se relaciona e como será identificado. Um bom modelo reduz retrabalho, facilita a catalogação, habilita interoperabilidade e garante preservação.

No GAIA, modelar é prático e iterativo: começamos com o núcleo mínimo e evoluímos com base em exemplos reais.

Abordagem prática de modelagem (GAIA)

Comece pelo uso

Casos de uso reais: quem consulta, que perguntas faz e que evidências precisa.

Núcleo mínimo

Comece com poucas entidades e campos essenciais. Amplie só quando necessário.

Interoperabilidade

Mapeie para padrões e vocabulários abertos; planeje exportações desde o início.

Identificadores persistentes

Crie IDs estáveis por entidade e estratégia de redirecionamento/versões.

Acessibilidade embutida

Campos para ALT/legendagem, créditos e sensibilidade cultural previstos no modelo.

Documentação leve

Dicionário de dados de 1 página + exemplos. O resto fica nos próprios registros.

Entidades-chave & relacionamentos

Objeto / Item

core

Representa a unidade descritiva principal (peça, documento, obra, registro).

  • ID persistente (ex.: ARK/Handle/URL estável).
  • Título, datas, autoria, descrição.
  • Licença, créditos, sensibilidade cultural.

Pessoa / Agente

Autores, criadores, coletores, curadores e instituições.

  • ID persistente (ex.: VIAF, ORCID, ROR, local).
  • Papéis claros (criador, editor, depositante).

Evento

Criação, coleta, restauração, digitalização, publicação, exibição.

  • Tipo de evento + data/tempo.
  • Relação Objeto—Evento—Agente—Lugar.

Lugar

Localizações (produção, descoberta, guarda, exibição).

  • IDs geográficos (GeoNames, Wikidata) quando possível.
  • Coordenadas e nomes alternativos.

Conceito / Termo

Assuntos, técnicas, materiais, períodos — controlados por vocabulário.

  • URI/ID do termo (ex.: AAT, LCSH, Wikidata).
  • Relações hierárquicas e equivalências.

Objeto Digital / Arquivo

Representações digitais (imagem, áudio, vídeo, 3D) vinculadas ao Objeto.

  • MIME type, tamanho, resolução e checksums.
  • Direitos de uso e acessibilidade (ALT/legenda).

Identificadores, versões e rastreabilidade

  • ID persistente por entidade central (ARK/Handle/URL estável com redirecionamento).
  • Chaves naturais preservadas como atributos (ex.: signaturas, tombo).
  • Versionamento leve (v1, v2) + changelog por registro quando houver alterações relevantes.
  • Proveniência (quem alterou o quê, quando e por quê) com campos mínimos.

Vocabulários controlados & mapeamentos

Escolha do vocabulário

Prefira ontologias e listas com URIs públicos e governança ativa (AAT, Wikidata, LCSH, etc.).

Mapeamento para padrões

Defina correspondências para Dublin Core, CIDOC CRM, schema.org quando fizer sentido.

Validação e qualidade

Regras simples: campos obrigatórios, listas controladas, checagens automáticas e revisão humana por amostra.

Dicionário de dados (núcleo mínimo)

Campo Tipo Obrig. Descrição
id_persistente string/URI Sim Identificador estável e único do Objeto.
titulo string Sim Nome dado ao objeto ou registro.
data_principal data Sim Data de criação/ocorrência (ISO 8601).
agente_principal_id URI/string Não Autor/entidade responsável, quando aplicável.
assuntos_uri lista/URI Não Termos controlados (AAT/Wikidata/etc.).
direitos_licenca string/URI Sim Licença (ex.: CC-BY) + créditos visíveis.
sensibilidade_cultural enum Não Sinalização de conteúdo sensível e mediação.

Indicadores simples de boa modelagem

  • % de registros com ID persistente válido e resolvível.
  • % com vocabulários controlados aplicados em campos-chave.
  • Sucesso de exportação para formatos/padrões definidos.
  • Taxa de reuso (citações, downloads, integrações) por coleção.

Erros comuns (e como evitar)

  • Modelos gigantes que ninguém consegue manter.
  • IDs frágeis que mudam conforme o sistema.
  • Vocabulário solto sem URI e sem curadoria.
  • Esquecer acessibilidade como atributo do modelo.
  • Não testar exportações e mapeamentos desde o protótipo.
  • Documentação opaca sem exemplos mínimos.